CHUVA MIÚDA
Domingo de manhã. A volta no quarteirão é inevitável: os dois não me deixam em paz. Os dois são aqueles que me têm nas mãos ou melhor dizendo, nas patas; sou obrigada a fazer tudo o que eles querem ( ou adoro fazer isto?)
Saio sem pretensão, acho que não vai chover ainda. Mas em seguida os chuviscos começam a cair e molhar terminantemente tudo o que nos rodeia. Olho em volta e vejo os contornos das casas e dos prédios ao longe tenuemente esmaecidos. Uma grande calma envolve tudo. Parece que todos e tudo está adormecido nesta manhã de domingo.
Sinto as gotinhas caírem com mansidão e o contato com a frieza delas me acalma também: sempre adorei me molhar embora digam que é perigoso se resfriar!! Como pode uma coisa tão boa ser prejudicial?
Respiro fundo e sinto uma enorme alegria por estar viva, por aproveitar esses tolos momentos: na calçada da minha rua, em volta do quarteirão, sem cruzar com nenhum transeunte, eu e meus cachorros passeando livremente ( eles jamais usam coleiras ou guias) debaixo da chuva miúda que teima em cair suavemente.
Agora é só entrar, sacudir bastante, esfregar-se nas toalhas e mantas e sofás e continuar vivendo este domingo de paz e tranqüilidade.
