Dia de cirurgia
11 de novembro de 2007
A internação foi às 22:00 horas na Beneficiência Portuguesa, em SP.
A ansiedade tomava conta de mim, mas eu disfarcei bem. Medo. Puro medo de morrer, de ter o peito aberto, de uma hemorragia incontrolável, de nunca mais acordar, de ouvir a serra cortando o osso esterno...
Depois de todas as burocracias, os papéis, as perguntas, os dados... no quarto esperando a noite passar. Qual o peso, quais remédios, quer explicações?"A cirurgia demora cerca de 5 horas, quando acordar fique calma, você vai estar entubada para permitir que o pulmão retorne à respiração normal, mas logo tudo é retirado". Um Lexotan ajudou bem.
De manhã bem cedo, um banho e a espartana camisola hospitalar com o indefectível gorro.
Antes da 7:00 horas já estava circulando pelos corredores, sem saber ao certo qual era o meu destino.
Na sala de cirurgia o relógio bem em frente marcava 7:20. Os tons que prevalecem em todos os detalhes são de um azul mais que celeste, é o azul do prana, segundo consta...Grandes pacotes envolvidos em tecido azul cobrem duas mesas laterais. Serão os instrumentos cirúrgicos? Os médicos ( e são uns sete ou oito) estão todos de azul. O cheiro é característico: antissético com eter com iodo...
Deitada na mesa que já tinha visto pela internet, entregue ao destino, procurei gravar todos os detalhes para embrar depois.
Nessa hora pensei "estou à mercê do destino, posso voltar ou morrer". Uma grande calma me envolveu pois considerei que se fosse embora já teria valido muito a pena ter vivido...
Sem sentir absolutamente nada, nem uma picadinha, apaguei por completo, num sono pesado e repousante para acordar... sei não... oito ou nove horas depois!
