Lembranças
Lembro de tardes que se foram há muito, eu menina, meninota, com minha mãe, no centro de São Paulo. Íamos para pagar as duplicatas nos bancos; nos bairros ainda não havia agências filiais.Tinha medo de me perder, já naquele tempo havia muita gente pelas ruas e praças. De braços dados, com todo cuidado, caminhávamos as duas sem pestanejar. Aqui, ali, entrando nas filas dos bancos imponentes, de mobiliário pesado, em madeira nobre, lindos vasos de plantas a enfeitar.
Eu aguardava paciente todos os momentos que malmente compreendia esperando que acabassem para poder chegar aonde queria: a hora do lanche e do lazer.
O lanche consistia em enormes pastéis de carne e queijo, meio que novidade naquela época, acompanhados de garapa! Lanchinho light, hein? Mas, naqueles dias essa palavra light não existia...
Depois sim: hora de visitar a Companhia Melhoramentos! Bem na Praça da Sé.
Ah! Que deslumbre! As paredes estavam forradas de livros de todos os tipos, tamanhos, assuntos, ilustrações... Eu queria ficar lá para sempre, nem precisava voltar. Podia escolher o que quisesse, na medida do possível e dos cordões da bolsa!
Ficava analisando os livros mais acessíveis das prateleiras, provavelmente os ideais para a minha idade, passando a mão, folheando, sentindo o prazer de poder possuir um daqueles, qualquer um, era só escolher...
Até hoje quando começo a ler um livro sinto um pouquinho dessa ansiedade, dessa alegria daqueles momentos memoráveis. O tato, o cheiro, um olhar distraído nas ilustrações, a capa, as orelhas, a vontade de começar a ler e ao mesmo tempo a vontade de prolongar essas sensação.

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