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Location: São Carlos, São Paulo, Brazil

escritora infanto-juvenil, bibliotecária

Tuesday, January 08, 2008

Dia de cirurgia II
Quando saí da casa de minha filha para ir ao hospital despedi do meu genro médico e disse:"até a volta; a primeira pessoa que vou ver depois da cirurgia será você", porque ele tem acesso à UTI e às salas de cirurgia.
Pois foi o que aconteceu. Ao acordar, ainda com os tubos de respiração, vi o Dr. Marcelo na beirada da minha cama e tive certeza que não havia morrido, ufa!...
Com os olhos comuniquei a ele a minha alegria e ele captou a mensagem!
Nada e ninguém conseguiria me aborrecer nesse momento! O fato de estar viva sobrepujou qualquer incômodo por estar entubada e qualquer sensação de absoluta incapacidade de me mexer, de respirar livremente, de estar ligada a inúmeros frascos de coleta e absorção.
Dali a pouquinho, mergulhada num sono tonto, ouvi a enfermeira dizendo: "Celia, vamos tirar o tubo" e nem senti nada....
Foram dois dias de UTI onde não se dorme (só se escapa num sono grogue e desigual) se come sim, uma comida horrível, sopinha ralíssima sem sal e gelatina e se fica à mercê de banhos no leito ( com direito a lavar a cabeça com shampoo e tudo!), de picadas para tirar sangue e controlar a glicemia e exames de raio X, cujas máquinas vêm ao quarto e que fazem com que o custo para se posicionar na cama seja grande.
Ai, dor! Ai, sensação de aperto no peito... e sabemos que está tudo costurado e amarrado com fio metálico, argh!
Só o fato de estar viva e respirando fazem com que as coisas não sejam piores ainda do que realmente são.

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